quarta-feira, 10 de junho de 2009

Os Homens

A força dos homens
Comprimida sem igual!
Numa fúria empobrecida
Qual besta ou animal

Não deu tréguas
Não cessando
As magoas pediu as o vento
Mas sem sequer amando!

E das aves, qual pena?
E dos peixes, qual escama?
Que nem um só vestígio deixaram, os sacanas!
E ficaram de insanas....

Todas as respostas, obrigações e tentações!
Não seriam eles também restos da carne humana....

Sentimento

Margens dum rio
Vastidões dum deserto
Mundo submerso

Pois eu confesso,
Que me nasce um sentimento
Que passa o entendimento
E que fermenta em mim

Óh fronteira sem fim
Renasce em hora,
O que mora em meu coraçao

Que num sim,
Num não,

Haja resposta mais sentida:

Que um fogo,
Que um fogo sentido.

A 1º Saga, A luz

Prados, campos
Verdes vales
Luz que vens de bravo sol

Mole minha alma,
bruto meu coração

Que não nego não,
Estar provido do amor

Da luz que nasce,
Da luz que vem,
Que entra em nossos corações
Corações esses, que renova

Numa saga pelo ouro que é: A luz

Propriamente Humano

Puxa a vontade
Desespera, saudade
Vai nessa, pela pressa
De chegar...

E então!?
Poupa me a vontade, a razão!
De ser e esperar!
Esperarei sim, pelo ar ou pelo mar

Que venhas!
Se não em corpo
então pensamento.
Que só me valha mesmo o tormento
Na minha própria condição

Pedi à voz do tempo
Que da memoria
Se trai assim, contentamento
Se chora assim, viveria

Será que o Homem
é assim tão contrafeito
Se sem razão faz-se dono
Da única satisfação!

E escreve prosas!
Combate guerras!
Grita Glorias!
Chora saudades!
Vive paisagens...

Amores vontades e derradeiros actos...
Que são próprios da condição própria Humana.
Tantas vezes não próprio para si próprio.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Para lá daquele monte

O que foi para lá daquele monte
Nunca mais se ouviu falar
Diria que saberia quem se quer amar
Olhos prata, olhos ouro

Quem já não ouviu
Quem já não sentiu
A leve brisa do mar
Pois foi isso,
Que estava no outro lado do monte...

E nunca mais se ouviu falar
Nos campos que cobriam a minha face
Pus-me a pensar
Quem seria a pessoa que se fora Achar

Caída sobre a areia fina,
Tombada sobre as pedras duras do chão
Jazia agora entre as ondas do mar
A sua morte fora sempre o meu penar.

Mas a vida continua
E a noite, às vezes, também recua
Só que o tempo teima a avançar
Na sua tão rápida passagem
Certas vezes tão devagar

E nos campos das flores deste lado do monte
Pus-me a pensar…


Francisco Cardoso

Estrela no Céu

Pulsava sintilante
Uma luz desnorteante
E sem fé, ou piedade
Conspurcou com seus traços de vaidade!

Trai a jóia
Rouba a cena!
Ficando só ela por amena!
Doa a carne e a saudade

Se da voz falas à vontade
Tão que te valha esse teatro
Em pleno astro!

Estrela tu não vês....

Que somos homens, e todos feios!
Todos cheios dos seus males e pecados....
Se fossemos tu por um só dia!
Com teus raios, que cintila a terra inteira!

Seriamos mais que divindade.
Seriamos tudo, por um nada
E só assim eu descansava
Só assim a minha alma me deixava em paz....

Francisco Cardoso

A besta

Jubilava empoleirado
Entres rosas tão manso
E perdido num abraço,
marcava seu avanço

Entrou na viela
Galgou o passeio
Alçou a rua
Perdido no anseio!

Num balanço tão ascendente
Que se elevou, transcendente

Tanto quando ia a imaginação humana
Não fosse ela a viajante
E a própria demanda.

Francisco Cardoso

Paradigmas Entrelaçados

Subiu, em tom proeminente
Sem dó, criou friamente
traços duma voz encandeceste
E se elevou, gritando até!

Aos prados chegou uma nova fé
A esperança de novos tempos
Promessas de novas mudanças
Mudança das próprias promessas.

E tudo mudou:
O gelo foi lava,
O fogo, água
O vento foi terra
E a terra voou, inerte, sozinha.
Caída no ar,
Num tempo ausente.

Numa só Voz gerou iminente, uma Nação.
Não tinha fronteiras,
estendia-se além da própria Criação
Não tinha cadeias.
ninguém empunhava munição.

Tinham mais que pensar...
Ora no futuro, ora no amanhã
Porque o passado já lá era
E o presente escapasse sempre pelas mãos.

Viviam, vivendo
Sorriam, sorrindo
Sonhavam, sonhando
Que lutar, lutavam
Mas em guerras e planos diferentes.

Bebés choravam não por fome,
Mas por sono.
Crianças temiam não as armas,
Mas o escuro.
E por aí adiante, porque o normal é o humano.
Humano não é matar, não é morrer.

É viver, crescer, gerar....amar.
É gritar por todas as coisas e pessoas
Que adoramos.
E mesmo assim não temer novas conversas
Novas amizades, em laços eternos
Em ciclos igualmente longos
Igualmente imensos.

Podermos contar a nossa presença aqui na Terra
Não em anos, mas em séculos.
Nações criando paz e não exércitos.

Paradigmas entrelaçados
Humanos mutilados
Não na carne, mas naquilo que compõe
Realmente a essência humana (a alma).

Francisco Cardoso