quarta-feira, 10 de junho de 2009

Propriamente Humano

Puxa a vontade
Desespera, saudade
Vai nessa, pela pressa
De chegar...

E então!?
Poupa me a vontade, a razão!
De ser e esperar!
Esperarei sim, pelo ar ou pelo mar

Que venhas!
Se não em corpo
então pensamento.
Que só me valha mesmo o tormento
Na minha própria condição

Pedi à voz do tempo
Que da memoria
Se trai assim, contentamento
Se chora assim, viveria

Será que o Homem
é assim tão contrafeito
Se sem razão faz-se dono
Da única satisfação!

E escreve prosas!
Combate guerras!
Grita Glorias!
Chora saudades!
Vive paisagens...

Amores vontades e derradeiros actos...
Que são próprios da condição própria Humana.
Tantas vezes não próprio para si próprio.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Para lá daquele monte

O que foi para lá daquele monte
Nunca mais se ouviu falar
Diria que saberia quem se quer amar
Olhos prata, olhos ouro

Quem já não ouviu
Quem já não sentiu
A leve brisa do mar
Pois foi isso,
Que estava no outro lado do monte...

E nunca mais se ouviu falar
Nos campos que cobriam a minha face
Pus-me a pensar
Quem seria a pessoa que se fora Achar

Caída sobre a areia fina,
Tombada sobre as pedras duras do chão
Jazia agora entre as ondas do mar
A sua morte fora sempre o meu penar.

Mas a vida continua
E a noite, às vezes, também recua
Só que o tempo teima a avançar
Na sua tão rápida passagem
Certas vezes tão devagar

E nos campos das flores deste lado do monte
Pus-me a pensar…


Francisco Cardoso

Estrela no Céu

Pulsava sintilante
Uma luz desnorteante
E sem fé, ou piedade
Conspurcou com seus traços de vaidade!

Trai a jóia
Rouba a cena!
Ficando só ela por amena!
Doa a carne e a saudade

Se da voz falas à vontade
Tão que te valha esse teatro
Em pleno astro!

Estrela tu não vês....

Que somos homens, e todos feios!
Todos cheios dos seus males e pecados....
Se fossemos tu por um só dia!
Com teus raios, que cintila a terra inteira!

Seriamos mais que divindade.
Seriamos tudo, por um nada
E só assim eu descansava
Só assim a minha alma me deixava em paz....

Francisco Cardoso

A besta

Jubilava empoleirado
Entres rosas tão manso
E perdido num abraço,
marcava seu avanço

Entrou na viela
Galgou o passeio
Alçou a rua
Perdido no anseio!

Num balanço tão ascendente
Que se elevou, transcendente

Tanto quando ia a imaginação humana
Não fosse ela a viajante
E a própria demanda.

Francisco Cardoso

Paradigmas Entrelaçados

Subiu, em tom proeminente
Sem dó, criou friamente
traços duma voz encandeceste
E se elevou, gritando até!

Aos prados chegou uma nova fé
A esperança de novos tempos
Promessas de novas mudanças
Mudança das próprias promessas.

E tudo mudou:
O gelo foi lava,
O fogo, água
O vento foi terra
E a terra voou, inerte, sozinha.
Caída no ar,
Num tempo ausente.

Numa só Voz gerou iminente, uma Nação.
Não tinha fronteiras,
estendia-se além da própria Criação
Não tinha cadeias.
ninguém empunhava munição.

Tinham mais que pensar...
Ora no futuro, ora no amanhã
Porque o passado já lá era
E o presente escapasse sempre pelas mãos.

Viviam, vivendo
Sorriam, sorrindo
Sonhavam, sonhando
Que lutar, lutavam
Mas em guerras e planos diferentes.

Bebés choravam não por fome,
Mas por sono.
Crianças temiam não as armas,
Mas o escuro.
E por aí adiante, porque o normal é o humano.
Humano não é matar, não é morrer.

É viver, crescer, gerar....amar.
É gritar por todas as coisas e pessoas
Que adoramos.
E mesmo assim não temer novas conversas
Novas amizades, em laços eternos
Em ciclos igualmente longos
Igualmente imensos.

Podermos contar a nossa presença aqui na Terra
Não em anos, mas em séculos.
Nações criando paz e não exércitos.

Paradigmas entrelaçados
Humanos mutilados
Não na carne, mas naquilo que compõe
Realmente a essência humana (a alma).

Francisco Cardoso