Vejo e sinto,
juro que sinto,
o cheiro da neve
tão leve, tão fofa
E nos tempos
da sopa, canja quente
nos pratos
E bolos, e os sapatos
cobertos de coisas boas
E as gentes miudinhas
que gritam "Prendinhas!"
É de facto tempo de natal
Onde ficou o espírito natalício
Queria desejar ao Solstício
Um Bom Natal
Mas ficou me ele por ameno
Nem neve, nem canções
que envolvem o ar
Esses pormenores
ficam calados
enquanto passo pelos
meus sapatos
cheios de coisa nenhuma
E os embrulhos
esmerados
cobertos de fartura
Mas o meu coração
não se enche de ternura
algo que nem comprimidos
cura, é raro
achar nestas vidas
tão repletas de tecnologias
O que é feito
do espírito de natal
que fiz eu de mal
não ter por reconhecido
esse fogo que deixa estarrecido
cada molécula do meu coração
E enaltecido
livre de inercia
O meu coração bate certinho
gostava que batesse
como o de um menino
que acaba de receber a sua primeira
prenda de natal
Que é feito do meu menino
não gosta ele mais da neve?
e do sapatinho?
e do bolinho?
Só gostava mesmo
que por um segundinho
Se ergue-se o brilho
dos olhos de um menino
nos meus olhos,
ao ver as estrelas
na noite de natal.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
"Não-Existencional"
Escrevo de coisas reais
Que de real no entanto nunca vi
Porque apenas seres reais
vem coisas concretas
E eu porventura não vi
Não tenho um problema existencial
Se de facto não existo
e que sou eu afinal
um aglomerado "dexistencial"
de átomos e partículas
E tendo contado por fim
cada dia da não-existência
a que eu firmemente tão agarrado
meto as mãos na consciência
e com um ego mirrado
ponho um olhar, um olhar apagado
Dum fantasma que alego ser
porque dos outros nada sei
nem sei se quer se me vêem
falam e quando falam
me chateiam
Sempre nas suas teimosias
dotadas de origens ancestrais
e eu que sou diferente
e tão feito de nada
cruzo o presente com o passado
e faço a minha própria salada
e quando falo, falo de forma tão calada
que duvido sequer se que alguém ouviu
e dou as graças
porque mesmo se ouvissem
não intenderiam nada
seria como um vento que arrepia
e passa...
e quando passa, já passou
e o que ficou mesmo já la foi
mas eu teimo em ficar
Porque se vou e igual
e ao menos dou um ar emocional
a minha existência ficcional
Escrevo, por um amigo distante
amigo esse que nunca tive
afinal quantas pedras,
árvores ou a própria água
têm amigos
e passam tempos definidos
com essas presenças reais
Escrevo, se escrevo
também nunca sei
sei que fica e vejo,
se ficar nalguem
porventura duvido
fico inclusive estarrecido
e fico olhando o vazio
tão igual a mim mesmo
e do tempo que nunca passa
dou me conta duma conclusão
eu de facto não existo
mas quando escrevo
causo de facto impressão.
Que de real no entanto nunca vi
Porque apenas seres reais
vem coisas concretas
E eu porventura não vi
Não tenho um problema existencial
Se de facto não existo
e que sou eu afinal
um aglomerado "dexistencial"
de átomos e partículas
E tendo contado por fim
cada dia da não-existência
a que eu firmemente tão agarrado
meto as mãos na consciência
e com um ego mirrado
ponho um olhar, um olhar apagado
Dum fantasma que alego ser
porque dos outros nada sei
nem sei se quer se me vêem
falam e quando falam
me chateiam
Sempre nas suas teimosias
dotadas de origens ancestrais
e eu que sou diferente
e tão feito de nada
cruzo o presente com o passado
e faço a minha própria salada
e quando falo, falo de forma tão calada
que duvido sequer se que alguém ouviu
e dou as graças
porque mesmo se ouvissem
não intenderiam nada
seria como um vento que arrepia
e passa...
e quando passa, já passou
e o que ficou mesmo já la foi
mas eu teimo em ficar
Porque se vou e igual
e ao menos dou um ar emocional
a minha existência ficcional
Escrevo, por um amigo distante
amigo esse que nunca tive
afinal quantas pedras,
árvores ou a própria água
têm amigos
e passam tempos definidos
com essas presenças reais
Escrevo, se escrevo
também nunca sei
sei que fica e vejo,
se ficar nalguem
porventura duvido
fico inclusive estarrecido
e fico olhando o vazio
tão igual a mim mesmo
e do tempo que nunca passa
dou me conta duma conclusão
eu de facto não existo
mas quando escrevo
causo de facto impressão.
Subscrever:
Comentários (Atom)