terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Espirito de natal

Vejo e sinto,
juro que sinto,
o cheiro da neve
tão leve, tão fofa

E nos tempos
da sopa, canja quente
nos pratos
E bolos, e os sapatos
cobertos de coisas boas

E as gentes miudinhas
que gritam "Prendinhas!"
É de facto tempo de natal
Onde ficou o espírito natalício

Queria desejar ao Solstício
Um Bom Natal
Mas ficou me ele por ameno
Nem neve, nem canções
que envolvem o ar

Esses pormenores
ficam calados
enquanto passo pelos
meus sapatos
cheios de coisa nenhuma

E os embrulhos
esmerados
cobertos de fartura

Mas o meu coração
não se enche de ternura
algo que nem comprimidos
cura, é raro
achar nestas vidas
tão repletas de tecnologias

O que é feito
do espírito de natal
que fiz eu de mal
não ter por reconhecido
esse fogo que deixa estarrecido
cada molécula do meu coração
E enaltecido
livre de inercia

O meu coração bate certinho
gostava que batesse
como o de um menino
que acaba de receber a sua primeira
prenda de natal

Que é feito do meu menino
não gosta ele mais da neve?
e do sapatinho?
e do bolinho?

Só gostava mesmo
que por um segundinho
Se ergue-se o brilho
dos olhos de um menino
nos meus olhos,
ao ver as estrelas
na noite de natal.

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